segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Graça

Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?


És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?


Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...

         (Alexandre Herculano)

Gênero dos substantivos

Na língua portuguesa todo substantivo tem dois gêneros: o feminino e o masculino, todavia há línguas onde aparece o gênero neutro. Os substantivos são classificados quanto ao gênero em epicenos, comum de dois gêneros e sobrecomum.

Os substantivos epicenos são usados para designar seres cujos nomes não variam em gênero e nem o artigo muda, são os nomes de certos animais, que não possuam feminino, e plantas.
Para demonstrar o gênero destes substantivos acrescenta-se a palavra fêmea ou macho depois do nome do animal ou planta.

Exemplo: A cobra fêmea; a cobra macho.
                O urubu fêmea; o urubu macho.
                O mamoeiro fêmea; o mamoeiro macho.
                O lírio fêmea; o lírio macho.

Uma vez que há palavras relacionadas a humanos que não tenham variação de gênero e aceitam apenas um artigo para designar os dois sexos, estas palavras são conhecidas como sobrecomum.

Exemplo: A vítima.
                A criança.
               
Há ainda substantivos que não se flexionem em gênero, mas aceitem o artigo feminino e o masculino, estes substantivos são chamados de comuns de dois gêneros.

Exemplo: A cônjuge; o cônjuge.
                

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ângelus

Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente,
O sol, rei fatigado, em seu leito adormece:
Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece
Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.

Salmos cheios de dor, impregnados de prece,
Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente.
E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce,
A ave-maria vai cantando, tristemente.

Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade
Pela boca da noite e pelo som que passa,
Lausperene de amor cuja mágoa me invade,

Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda
De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça,
Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.
                          (Francisca Júlia)

Oração

Uma oração é toda frase que possua um verbo, assim:
                    " Última flor do Lácio, inculta e bela".
                    "Toda de orvalho trêmula".
                    "Adeus, meus sonhos".
Estes três enunciados não são orações, pois em sua composição não há verbos.

Assim, toda oração é uma frase enquanto nem toda frase é uma oração.

Uma ou mais orações formam um período, sendo que chamamos período composto o período formado por duas ou mais orações e período simples o período com apenas uma oração.
           Exemplo: "Adeus meus sonhos, que planteio e morro".
Neste enunciado há um período composto, pois há duas orações que interagem.

Para saber quantas orações há em um período apenas é preciso contar os verbos, uma vez que para cada verbo há uma oração.
            Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver".
Neste período há três orações, porque há três verbos: é; arde; ver. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Flor do Mar

És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumaroso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.

Possuis do mar o deslumbrante afeto,
as dormências nervosas e o sombrio
e torvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no atro e proceloso aspecto.


Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços...

Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços...
                   (Cruz e Souza)


Prosódia

A prosódia e a ortoépia cuidam da correta pronúncia das palavras, no entanto a prosódia refere-se apenas a correta emição das sílabas tônicas, ao erro de prosódia chama-se silabada.

Segundo a prosódia:
         Oxítonas                    Paroxítonas                Proparoxítonas
        ureter                         avaro                            perséfone
        obus                           gratuito                        éolo
        reptil                          libido                           tísica
        mister                         ibero                            lêvedo
        condor                        rubrica                         espécimen
        masseter                    misantropo                   
                                           pudico
                                           abade
                                           pajem
                                           exegese
            
             
             

Hão de chorar por ela os cinamomos...

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"
                              (Alfhonsus Guimaraens)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dias da semana

Ao estudar outras línguas é possível perceber a diferença em relação aos dias da semana na língua portuguesa e em outras línguas. A língua portuguesa surgiu em Portugal e por este motivo o português é o único dialeto cujos dias da semana não fazem referência aos deuses pagãos.

Em uma reunião de bispos portugueses decidiu-se que os dias da semana não fariam alusão aos deuses romanos ( como ocorre no espanhol, francês e italiano) ou aos deuses nórdicos (no inglês e alemão).
 Esta decisão mudava os nomes dos dias semanais antes da páscoa, com exceção do sábado e domingo os demais dias receberiam nomes de numerais acrescidos do termo feira (derivado de feria, que significa descanso em latim), assim fica segunda-feira (segundo descanso), terça-feira (terceiro descanso), quarta-feira (quarto-descanso), quinta-feira (quinto descanso) e sexta-feira (sexto descanso). Esta decisão demonstrava que antes da páscoa deveria haver um período de descanso, mas com o tempo estes nomes permaneceram o ano inteiro.

domingo, 16 de setembro de 2012

Perdoa-me, visão dos meus sonhos

 Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
          (Álvares de Azevedo)

Regência verbal

A regência verbal é a relação que o verbo mantém com seus complementos, assim para uma correta regência verbal é necessário levar em consideração a transitividade do verbo e no caso de verbos acompanhados por pronomes oblíquos átonos o tipo de pronome oblíquo.

Quanto a regência damos o nome de regente ao termo que exige um complemento e regido o termo que exerce a função de complemento.
       Exemplo: Assistimos ao assassinato.
                        Assistimos => termo regente.
                        O assassinato => termo regido.

Cada verbo possui uma regência própria, e por vezes a regência do verbo é alterada com a mudança de significado do verbo. A seguir apresentamos alguns erbos e sua correta regência.

*Assistir: Quando possui o sentido de presenciar é transitivo indireto, exigindo a preposição a.
                           Assstimos ao espetáculo.
obs: neste sentido o verbo não pode ir para a voz passiva.
                           O espetáculo foi assistido.(Errado)
                Quando tem o significado de ajudar é transitivo direto.
                          O médico assistiu o paciente.
                Com o sentido de residir é transitivo indireto com preposição em.
                          Maria assiste em Santa Catarina.
                O verbo assistir pode ter o sentido de caber( ser o dever), neste caso exige a preposição a.
                          Assiste ao líder tomar uma decisão.

*Aspirar: Este verbo é transitivo direto com o sentido de solver, inalar.
                           Aspirou o pólen das flores.
                 É transitivo indireto com o sentido de pretender, assim exige a preposição a.
                           Aspiro ao melhor lugar.

*Preferir: Sempre usado como transitivo direto e indireto, exigindo dois complementos, um sem preposição e o outro acompanhado da preposição a, fazendo uma comparação, dando preferência.
                            Prefiro rosas brancas a pretas.
                         

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Última flor do Lácio

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo que na ganga impura
Bruta mina entre os cascalhos vela

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o tom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e se oceano largo,
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi:"Meu filho",
E em que Camões chorou no exílio amargo.
O amor sem ventura, e o gênio sem brilho.
                  (Olavo Bilac)

A vírgula


A vírgula é sem dúvida o sinal de pontuação mais usado, afinal não existe um texto sem vírgulas, seja uma narração ou um poema. Infelizmente muitas pessoas a usam como bem entendem, sem compreender que para seu uso existem algumas regras e são estas regras que veremos agora.

A vírgula marca uma pausa na fala, mas não deve ser empregada em certos casos enquanto em outros casos ela á proibida. Para falarmos destas regras é válido usar o período composto que acabei de empregar:

A vírgula marca uma pausa na fala, mas não deve ser empregada em certos casos enquanto em outros casos ela é proibida.

Na oração acima a vírgula aparece antes da conjunção mas uma vez que esta conjunção é uma conjunção coordenada.

1ª regra: Usa-se vírgula antes de conjunções coordenadas. Exemplo: mas, porém, pois e logo.

2ª regra: Não se utiliza vírgula antes das conjunções e, nem e ou.

Observação: Quando a conjunção ou vier repetida, sendo conjunção coordenada alternativa, emprega-se a vírgula. Exemplo: “Ou vou ao parque, ou fico em casa”.

3ª regra: Utiliza-se vírgula antes da conjunção e quando esta separar orações que possuam sujeitos distintos.

Exemplo: “Eu irei pela direita, e tu pela esquerda”.

4ª regra: A vírgula separa termos que pertençam à mesma classe gramatical.

Exemplo: Comprei pão, ovos, leite e azeite.

                 Tu és bela, inteligente, meiga e justa.

5ª regra: A vírgula separa as orações subordinadas adjetivas explicativas.

Exemplo: Os heróis, que são justos e temerosos, lutam com bravura. 

6ª regra: As orações subordinadas adverbias antepostas ou intercaladas a principal são separadas por vírgula.

Exemplo: Desde que chegaste, ela começou a sofrer.

                 As borboletas, quando jovens, são herbívoras lagartas.

7ª regra: O vocativo é separado por vírgula.
 Exemplo:  Maria, venha logo!

                  Corra, Pedro!
 
8ª regra: A vírgula separa o aposto.
Exemplo: Roma, a cidade eterna, é o berço do Império Romano.
                Mariana, cidade onde viveu Alphonsos Guimaraens, não mudou em nada.
 
 

sábado, 1 de setembro de 2012

Análise Mórfica

A análise mórfica é a análise da estrutura das palavras, as palavras podem ser divididas em partes que podem ser: A raiz, o radical, o afixo, as desinências, a vogal temática e vogais e consoantes de ligação.

A raiz é a parte irredutível da palavra, ou seja, não pode ser dividida em outras estruturas semântica.
Observe as palavras pedra, chuva e prazer, nestas palavras a raiz é respectivamente dr, ch e pr, pois estes dígrafos são inseparáveis.

"A raiz é a parte estrutural das palavras que resistiu com o passar do tempo".
 
O radical, também chamado de morfema lexical ou lexema, é a parte das palavras que as agrupa em,uma mesma família de palavras, ou seja, palavras com um mesmo radical em comum.
Observando as palavras pedra, chuva e prazer percebe-se que as palavas pedreira, pedrisco e pedregulho têm em comum o radical pedr, enquanto as palavras chuva, chuvisco e chuveiro como prazer, praz e prazeroso possuem os radicais chuv e praz em comum, respectivamente.
 
"O radical agrupa palavras em uma mesma família".


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
                       (Florbela Espanca)

Ortoépia

A ortoépia é a área da gramática que cuida da pronúncia correta das palavras, enquanto a ortografia lida com a escrita. Cada palavra deve ser pronunciada com seus respectivos sons abertos e fechados, sem troca de fonemas ou fusão com o som da palavra seguinte.

Abaixo uma lista com palavras que costumam ser pronunciadas erradamente:
 
Algoz: A vogal o tem som fechado como o o de arroz.
Obeso: A vogal e tem som aberto como o e de oboé.
Muito: O u e i não possuem som nasal, pronunciam-se como o u de mudo e o i de ideal.
Tóxico: O x tem som de Ks.
Gratuito: A vogal tônica é o u, pronuncia-se gratúito.
Fênix: O x tem som de s como na palavra lápis.
Rubrica: Esta palavra é uma paroxítona, a sílaba tônica é bri.
Reptil: Nesta palavra a sílaba tônica é til, como em infantil.
Obsoleto: O e tem som idêntico ao e da palavra médico.
Sesta: O e tem som aberto.
Sintaxe: O x tem som de ç; diz-se sintasse.
Inexorável: A letra x tem som de z; diz-se inezorável.
 
A ortoépia também proíbe a união fonética de palavras, fato que transforma a pronúncia de duas palavras em uma única palavra.
 
Ao invés de dizer dez quilômetros poroha diga dez quilômetros por hora.
Não diga porisso, diga por isso.
Ao invés de qualé diga qual é.
 

 

 




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Uma Rosa

 Se eu fosse apenas uma rosa,
 com que prazer me desfolhava,
 já que a vida é tão dolorosa
 e não te sei dizer mais nada!
 
 Se eu fosse apenas água ou vento,
 com que prazer me desfaria,
 como em teu próprio pensamento
 vais desfazendo a minha vida!
 
 Perdoa-me causar-te a mágoa
 desta humana, amarga demora!
 - de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa…
          (Cecília Meireles)


sábado, 25 de agosto de 2012

Verbos: Intransitivos e transitivos

Os verbos podem ser classificados de diversas formas, porém nenhuma classificação é tão importante quanto a classificação de acordo com a complementação do verbo, uma vez que ela controla a regência verbal e sua concordância.
Os verbos podem ser intransitivos ou transitivos, cada verbo traz um sentido consigo, mas há verbos que para serem compreendidos precisam de um complemento. Observe o exemplo:
           *Precisamos
           *Assistimos
           *Aspiro
Como observado os verbos acima necessitam de uma palavra ou expressam que complemente seu sentido, assim: Precisamos de quê? / Assistimos ao quê / Aspiro ao quê?

Os verbos que pedem um complemento são conhecidos como transitivos, enquanto os verbos que não precisam de complementação são chamados de intransitivos.

          "Os verbos intransitivos normalmente denotam ação e através deles o leitor compreende todo o sentido do verbo".

Exemplos de verbos intransitivos: aterrisar, morrer, dormir.
             Observe a oração: "Ele morreu". Pelo verbo morrer percebe-se todo um sentido, onde ele morreu é apenas um complemento que serve para passar uma informação de enfeite.
             "As crianças estão dormindo calmamente". Calmamente é um advérbio que não é exigido pelo verbo, esse termo também serve como enfeite.

         "O termo transitivo é empregado levando em consideração que o verbo transitivo transita, ou seja, percorre a oração, criando um caminho entre o verbo e seu complemento".

             Observe as seguintes orações: Precisamos de cuidados especiais.
                                                              Chegamos em Belém do Pará.
                                                              Aspiro aos melhores cargos.

             Observe estas outras orações: Vendem-se casas.
                                                             Lembrou o livro sobre a mesa.
                                                            Ele comeu duas fatias de bolo.

             No primeiro trio de orações os verbos transitivos pedem complemento e também exigem uma determinada preposição, afinal: Preciso de... / Chegamos em... / Aspiro a... , estes verbos que ligam-se ao complemento de forma indireta, ou seja, através de uma preposição, são chamados de transitivos indiretos.

           "Os verbos transitivos indiretos pedem complemento acompanhado de uma preposição já definida pelo verbo".
 
             No segundo trio de orações os verbos não pedem uma preposição, assim são transitivos diretos.

           "Os verbos transitivos diretos não precisam de preposição para ligarem-se ao complemento verbal".

Além dos verbos intransitivos e transitivos diretos ou indiretos existem verbos que precisam de dois complementos, um acompanhado de preposição e o outro complemento sem preposição, estes verbos são conhecidos como transitivos diretos e indiretos.

           "Os verbos transitivos diretos precisam de dois complementos, um preposicionado e o outro sem preposição".

Exemplos de transitivos diretos e indiretos:
                          Verbo Pagar: "O patrão pagou o salário aos empregados".
                           transitivo direto: Pagou o salário.
                           transitivo indireto: Pagou aos epregados.
                           Verbo Preferir: "Prefiro cães a gatos".
                           Fazendo uma comparação o verbo precisa da preposição a.
                          Verbo Perdoar: "O ageota perdoou as dívidas aos devedores.
                            



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Concordância Verbal

Na língua os verbos são parte essencial, eles interagem com os elementos da oração como o sujeito, o predicado, e para que essa interação ocorra da maneira certa é necessário que os verbos concordem com os termos da oração a qual pertencem, é isto que chamamos de Concordância Verbal, mas antes de começarmos a falar sobre as diversas regras de concordância propomos que responda às seguintes questões para analisar seu nível de conhecimento sobre a concordância dos verbos:

               Qual sentença está correta?  *A alcateia de lobos matou um urso.
                                                             *A alcateia de lobos mataram um urso.

               Qual frase seria a correta?   *Faz dez anos que não chove.
                                                            *Fazem dez anos que não chove.


Questões como essas são comuns na língua tanto escrita como falada, mas será que você acertou as questões acima?  

               *Na primeira questão ambas as respostas estão corretas, uma vez que alcateia é um coletivo e vem seguido pelo adjunto adnominal de lobos o verbo pode concordar com ambos, o coletivo ou o adjunto adnominal.

              *No segundo caso o certo é "Faz anos que não chove.", pois o verbo fazer quando se refere a tempo é invariável.

              Agora você percebe a necessidade do estudo da concordância verbal no quotidiano?



Regra geral de concordância verbal

O verbo concorda em pessoa e número com o sujeito da oração.

Segundo a regra geral de concordância verbal o verbo deve concordar com o sujeito da oração, mas como fazer a concordância com o sujeito composto(que possui dois ou mais núcleos)?

Flexão de número
1º Caso: O verbo vem após o sujeito composto.
                              Neste caso o verbo concorda com ambos(indo para o plural).

Exemplo: "Tu, nas miragens,e eu, no pensamento, somos a força e a afirmação da vida".
                                                                                           (Olavo Bilac)                          

2º Caso: O verbo aparece antes do sujeito composto.
Exemplo: "Seguiram então o guarda, Ternura e o capote".
                                                          (Augusto Meyer)
Exemplo: "Foi o menino e a menina".
Neste caso o verbo concorda com os dois núcleos do sujeito, ficando na forma plural, ou concorda com o núcleo mais próximo.
Flexão de pessoa
Quanto a pessoa, em uma oração com dois ou mais núcleos do sujeito devemos levar em consideração a primeira pessoa, depois vêm as demais pessoas quanto a importância.

1º Caso: Entre os núcleos do sujeito consta o pronome pessoal reto da primeira pessoa, não importando se está na forma plural ou singular, o verbo ficará na primeira pessoa.
Exemplo: "Tu, nas mragens, e eu, no pensamento, somos a força e a afirmação da vida".
                                                                                           (Olavo Bilac)

2º Caso: Não havendo o pronome pessoal reto da primeira pessoa e há um pronome pessoal reto da segunda pessoa o verbo ficará flexionado na segunda pessoa.
Exemplo: "Tu ou os teus filhos vereis a revolução dos espíritos e costumes."
                                                              (Camillo Castello Branco)

Reparem que o verbo concorda com a segunda pessoa, embora fique na forma plural concordando com os dois núcleos do sujeitos, apesar da forma vereis  possa desagradar aos ouvidos por apresentar certa discordância com os núcleos do sujeito esta forma é usada pela regra da flexão de número com sujeito composto anteposto ao verbo.

3º Caso: O sujeito não possui um núcleo da primeira ou segunda pessoa, sendo composto apenas por palavras que façam relação com a terceira pessoa ou por pronomes da terceira pessoa.
Exemplo: "A noite, o tempo, o mundo, rodam com precisão legítima de aparelho."
                                                                                  (Guimarães Rosa)



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

                                                          (Florbela Espanca)