quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ângelus

Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente,
O sol, rei fatigado, em seu leito adormece:
Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece
Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.

Salmos cheios de dor, impregnados de prece,
Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente.
E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce,
A ave-maria vai cantando, tristemente.

Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade
Pela boca da noite e pelo som que passa,
Lausperene de amor cuja mágoa me invade,

Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda
De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça,
Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.
                          (Francisca Júlia)

Oração

Uma oração é toda frase que possua um verbo, assim:
                    " Última flor do Lácio, inculta e bela".
                    "Toda de orvalho trêmula".
                    "Adeus, meus sonhos".
Estes três enunciados não são orações, pois em sua composição não há verbos.

Assim, toda oração é uma frase enquanto nem toda frase é uma oração.

Uma ou mais orações formam um período, sendo que chamamos período composto o período formado por duas ou mais orações e período simples o período com apenas uma oração.
           Exemplo: "Adeus meus sonhos, que planteio e morro".
Neste enunciado há um período composto, pois há duas orações que interagem.

Para saber quantas orações há em um período apenas é preciso contar os verbos, uma vez que para cada verbo há uma oração.
            Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver".
Neste período há três orações, porque há três verbos: é; arde; ver. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Flor do Mar

És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumaroso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.

Possuis do mar o deslumbrante afeto,
as dormências nervosas e o sombrio
e torvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no atro e proceloso aspecto.


Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços...

Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços...
                   (Cruz e Souza)


Prosódia

A prosódia e a ortoépia cuidam da correta pronúncia das palavras, no entanto a prosódia refere-se apenas a correta emição das sílabas tônicas, ao erro de prosódia chama-se silabada.

Segundo a prosódia:
         Oxítonas                    Paroxítonas                Proparoxítonas
        ureter                         avaro                            perséfone
        obus                           gratuito                        éolo
        reptil                          libido                           tísica
        mister                         ibero                            lêvedo
        condor                        rubrica                         espécimen
        masseter                    misantropo                   
                                           pudico
                                           abade
                                           pajem
                                           exegese
            
             
             

Hão de chorar por ela os cinamomos...

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"
                              (Alfhonsus Guimaraens)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dias da semana

Ao estudar outras línguas é possível perceber a diferença em relação aos dias da semana na língua portuguesa e em outras línguas. A língua portuguesa surgiu em Portugal e por este motivo o português é o único dialeto cujos dias da semana não fazem referência aos deuses pagãos.

Em uma reunião de bispos portugueses decidiu-se que os dias da semana não fariam alusão aos deuses romanos ( como ocorre no espanhol, francês e italiano) ou aos deuses nórdicos (no inglês e alemão).
 Esta decisão mudava os nomes dos dias semanais antes da páscoa, com exceção do sábado e domingo os demais dias receberiam nomes de numerais acrescidos do termo feira (derivado de feria, que significa descanso em latim), assim fica segunda-feira (segundo descanso), terça-feira (terceiro descanso), quarta-feira (quarto-descanso), quinta-feira (quinto descanso) e sexta-feira (sexto descanso). Esta decisão demonstrava que antes da páscoa deveria haver um período de descanso, mas com o tempo estes nomes permaneceram o ano inteiro.

domingo, 16 de setembro de 2012

Perdoa-me, visão dos meus sonhos

 Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
          (Álvares de Azevedo)

Regência verbal

A regência verbal é a relação que o verbo mantém com seus complementos, assim para uma correta regência verbal é necessário levar em consideração a transitividade do verbo e no caso de verbos acompanhados por pronomes oblíquos átonos o tipo de pronome oblíquo.

Quanto a regência damos o nome de regente ao termo que exige um complemento e regido o termo que exerce a função de complemento.
       Exemplo: Assistimos ao assassinato.
                        Assistimos => termo regente.
                        O assassinato => termo regido.

Cada verbo possui uma regência própria, e por vezes a regência do verbo é alterada com a mudança de significado do verbo. A seguir apresentamos alguns erbos e sua correta regência.

*Assistir: Quando possui o sentido de presenciar é transitivo indireto, exigindo a preposição a.
                           Assstimos ao espetáculo.
obs: neste sentido o verbo não pode ir para a voz passiva.
                           O espetáculo foi assistido.(Errado)
                Quando tem o significado de ajudar é transitivo direto.
                          O médico assistiu o paciente.
                Com o sentido de residir é transitivo indireto com preposição em.
                          Maria assiste em Santa Catarina.
                O verbo assistir pode ter o sentido de caber( ser o dever), neste caso exige a preposição a.
                          Assiste ao líder tomar uma decisão.

*Aspirar: Este verbo é transitivo direto com o sentido de solver, inalar.
                           Aspirou o pólen das flores.
                 É transitivo indireto com o sentido de pretender, assim exige a preposição a.
                           Aspiro ao melhor lugar.

*Preferir: Sempre usado como transitivo direto e indireto, exigindo dois complementos, um sem preposição e o outro acompanhado da preposição a, fazendo uma comparação, dando preferência.
                            Prefiro rosas brancas a pretas.
                         

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Última flor do Lácio

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo que na ganga impura
Bruta mina entre os cascalhos vela

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o tom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e se oceano largo,
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi:"Meu filho",
E em que Camões chorou no exílio amargo.
O amor sem ventura, e o gênio sem brilho.
                  (Olavo Bilac)

A vírgula


A vírgula é sem dúvida o sinal de pontuação mais usado, afinal não existe um texto sem vírgulas, seja uma narração ou um poema. Infelizmente muitas pessoas a usam como bem entendem, sem compreender que para seu uso existem algumas regras e são estas regras que veremos agora.

A vírgula marca uma pausa na fala, mas não deve ser empregada em certos casos enquanto em outros casos ela á proibida. Para falarmos destas regras é válido usar o período composto que acabei de empregar:

A vírgula marca uma pausa na fala, mas não deve ser empregada em certos casos enquanto em outros casos ela é proibida.

Na oração acima a vírgula aparece antes da conjunção mas uma vez que esta conjunção é uma conjunção coordenada.

1ª regra: Usa-se vírgula antes de conjunções coordenadas. Exemplo: mas, porém, pois e logo.

2ª regra: Não se utiliza vírgula antes das conjunções e, nem e ou.

Observação: Quando a conjunção ou vier repetida, sendo conjunção coordenada alternativa, emprega-se a vírgula. Exemplo: “Ou vou ao parque, ou fico em casa”.

3ª regra: Utiliza-se vírgula antes da conjunção e quando esta separar orações que possuam sujeitos distintos.

Exemplo: “Eu irei pela direita, e tu pela esquerda”.

4ª regra: A vírgula separa termos que pertençam à mesma classe gramatical.

Exemplo: Comprei pão, ovos, leite e azeite.

                 Tu és bela, inteligente, meiga e justa.

5ª regra: A vírgula separa as orações subordinadas adjetivas explicativas.

Exemplo: Os heróis, que são justos e temerosos, lutam com bravura. 

6ª regra: As orações subordinadas adverbias antepostas ou intercaladas a principal são separadas por vírgula.

Exemplo: Desde que chegaste, ela começou a sofrer.

                 As borboletas, quando jovens, são herbívoras lagartas.

7ª regra: O vocativo é separado por vírgula.
 Exemplo:  Maria, venha logo!

                  Corra, Pedro!
 
8ª regra: A vírgula separa o aposto.
Exemplo: Roma, a cidade eterna, é o berço do Império Romano.
                Mariana, cidade onde viveu Alphonsos Guimaraens, não mudou em nada.
 
 

sábado, 1 de setembro de 2012

Análise Mórfica

A análise mórfica é a análise da estrutura das palavras, as palavras podem ser divididas em partes que podem ser: A raiz, o radical, o afixo, as desinências, a vogal temática e vogais e consoantes de ligação.

A raiz é a parte irredutível da palavra, ou seja, não pode ser dividida em outras estruturas semântica.
Observe as palavras pedra, chuva e prazer, nestas palavras a raiz é respectivamente dr, ch e pr, pois estes dígrafos são inseparáveis.

"A raiz é a parte estrutural das palavras que resistiu com o passar do tempo".
 
O radical, também chamado de morfema lexical ou lexema, é a parte das palavras que as agrupa em,uma mesma família de palavras, ou seja, palavras com um mesmo radical em comum.
Observando as palavras pedra, chuva e prazer percebe-se que as palavas pedreira, pedrisco e pedregulho têm em comum o radical pedr, enquanto as palavras chuva, chuvisco e chuveiro como prazer, praz e prazeroso possuem os radicais chuv e praz em comum, respectivamente.
 
"O radical agrupa palavras em uma mesma família".